Primeira foto do dia.
terça-feira, 14 de agosto de 2012
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Leitura nas nuvens
Quando estou a ler, o resto do mundo desaparece.
Se não estiver a caminho da inconsciência causada pelo cansaço ou pelo sono, basta-me ler uma ou duas linhas e puf! Deixo de ser "Manel, o tipo a ler um livro" e passo a ser "Manel, o observador invisível de uma história que não é a dele".
Por vezes, fico de tal forma imerso nas letras que me esqueço de coisas elementares... como a lei da gravidade, por exemplo. Sem dar por isso, acabo muitas vezes por descolar-me do chão e flutuar, à deriva pelo espaço.
O problema, como deverão calcular, é quando interrompo a leitura.
"Ena. Este livro é mesmo bom. Até parece que estou a voar", penso eu imediatamente antes de perceber que estou mesmo. "Mas, que...?", este último meio-pensamento é rapidamente seguido pela inevitável vocalização da expressão "AAAAAAAAAAAHHHHH!!!" e pela reverberação do som "BADUUUM!!".
Felizmente, quando me lembro da lei da gravidade, ainda demoro um pouco até me lembrar de que não é suposto ficarmos inteiros quando caímos do céu. Poderia ser pior, portanto. Como nas vezes em que me esqueço da teoria da força nuclear fraca e, sem dar por isso, desintegro-me e fico espalhado pelos quatro cantos do universo...
Nessas vezes, demoro sempre um pouco mais a voltar à Terra.
(Na foto podem ver a contracapa de "The Men Who Stare at Goats", de Jon Ronson.)
Se não estiver a caminho da inconsciência causada pelo cansaço ou pelo sono, basta-me ler uma ou duas linhas e puf! Deixo de ser "Manel, o tipo a ler um livro" e passo a ser "Manel, o observador invisível de uma história que não é a dele".
Por vezes, fico de tal forma imerso nas letras que me esqueço de coisas elementares... como a lei da gravidade, por exemplo. Sem dar por isso, acabo muitas vezes por descolar-me do chão e flutuar, à deriva pelo espaço.
O problema, como deverão calcular, é quando interrompo a leitura.
"Ena. Este livro é mesmo bom. Até parece que estou a voar", penso eu imediatamente antes de perceber que estou mesmo. "Mas, que...?", este último meio-pensamento é rapidamente seguido pela inevitável vocalização da expressão "AAAAAAAAAAAHHHHH!!!" e pela reverberação do som "BADUUUM!!".
Felizmente, quando me lembro da lei da gravidade, ainda demoro um pouco até me lembrar de que não é suposto ficarmos inteiros quando caímos do céu. Poderia ser pior, portanto. Como nas vezes em que me esqueço da teoria da força nuclear fraca e, sem dar por isso, desintegro-me e fico espalhado pelos quatro cantos do universo...
Nessas vezes, demoro sempre um pouco mais a voltar à Terra.
(Na foto podem ver a contracapa de "The Men Who Stare at Goats", de Jon Ronson.)
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Entardecer em Lisboa, nº9 ("Aceso ou apagado?")
Já andava há uns dias para conseguir tirar esta foto. Não sei se é perceptível, mas as luzes deste candeeiro estão apagadas. Parecem acesas porque o candeeiro está em contraluz.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Manel e a conspiração dos peixes, 2ª parte
Como vos tinha dito ontem, estive na Biblioteca Esquecida dos Assuntos Submersos à procura de uma explicação para a conspiração dos peixes.
Na recepção falei com o Sr. Eliseu, bibliotecário extraordinário, e expliquei-lhe a minha situação.
- Boa tarde Sr. Eliseu. Como está? Os caranguejos voadores continuam a dar-lhe problemas?
- Hrm. Bah. - Resmungou o ancião, antes de desencostar o nariz do livro de registos - Que praga, meu jovem. Demorei quase dois anos para conseguir livrar-me das Cnidaria Scyphozoa Cantanti e agora tenho as prateleiras cheias destes Callinectes Sapidus Volitans que só querem saber de livros sobre "pensamento lateral".
- Realmente... Alguma coisa que eu possa fazer?
- Não, não. Hrm. Isto há de se resolver. - Respondeu com um ar sereno, antes de se levantar bruscamente, dar um valente murro na mesa e gritar com todo o poder dos seus pulmões - SEUS MARGINAIS!
Durante alguns segundos o Sr. Eliseu ficou ali, parado como uma estátua, de punho erguido aos céus e uma expressão de fúria no rosto, cujas rugas despertavam memórias de um o mar revolto numa noite de tempestade.
- Hrm. Mas diga lá, meu jovem. O que trás por cá? - A fúria desapareceu tão rapidamente quanto apareceu.
- Bom. Sabe. Acho que existe uma conspiração de peixes contra mim.
- Ah, sim? E porque é que diz isso?
- Porque, ao contrário das outras pessoas, nunca consigo comer peixe sem cravar espinhas nas gengivas. A conclusão é irrefutável.
- Hrm. Acho que já li qualquer coisa sobre isso... Só um momento.
Num piscar de olhos, o Sr. Eliseu deslizou como uma enguia entre uma parede de estantes e o que parecia ser um enorme ídolo pertencente a uma qualquer civilização esquecida.
Enquanto esperava, distraí-me a observar o que faziam os restantes clientes da biblioteca.
Junto à proa de um colossal navio onde se lia o nome "Argo", o deus assírio-babilónico Dagon e o Adamastor riam-se a bandeiras despregadas enquanto trocavam excertos de H.P. Lovecraft e Camões. Um pouco mais perto, dentro de uma garrafa de rum poisada na terceira prateleira de uma estante feita de coral, o Neils Olgerson contava histórias da sua maravilhosa aventura a um liliputiano gordo e claramente cheio de sono.
- Aqui está, meu jovem. Hrm. - Disse o Sr. Eliseu, enquanto me entregava cinco volumes escritos numa língua estranha.
- Muito obrigado. Mas eu não ser ler esta...
- Balquinaquês.
- Isso. Não sei ler balquinaquês.
- Não se preocupe. Hrm. Aqui está um dicionário Balquinaquês-Português.
Munido de toda a informação necessária, entreguei-me à árdua tarefa de decifrar os livros que me foram entregues. Naturalmente, comecei pelos títulos, não só porque estava curioso sobre a identidade daqueles tomos ricos em conhecimento, mas também porque sou preguiçoso e só tinham uma palavra cada um.
Consultando o dicionário, decifrei rapidamente o primeiro título:
"aprende"
O segundo:
"a"
O terceiro:
"usar"
O quarto:
"os"
E finalmente o quinto:
"talheres".
FIM
Subscrever:
Mensagens (Atom)






