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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Se não havia nada, como é que surgiu alguma coisa? - Pt.2 - A escrita na parede

Fotografia do livro "Se não havia nada, como é que surgiu alguma coisa?" (Fundação Centro Cultural de Belém, Maio 2014)
(c)CCB / Manuel Ruas Moreira

Uma das salas usadas no ciclo de filosofia com crianças "Pensamento, Filosofia e Contemplação Artística" (decorrido na Fábrica das Artes do do CCB em 2012) estava completamente forrada com papel de cenário onde cada participante escrevia "a pergunta que hoje o habita".

Fotografia do livro "Se não havia nada, como é que surgiu alguma coisa?" (Fundação Centro Cultural de Belém, Maio 2014)
(c)CCB / Manuel Ruas Moreira

No final do ciclo, as paredes e o chão desta sala apelidada de "Sala Línguas de Perguntador" ficaram cobertos de dúvidas existenciais, perguntas metafísicas e interrogações introspectivas, na sua maioria muito difíceis (ou até impossíveis) de responder, como:

- "Porque é que a bola é redonda?", Renato, 8 anos
- "Como é que os artistas têm ideias?", Madalena, 9 anos
- "Porque é que nós não nascemos de outra maneira, por exemplo com duas bocas e um olho?", Madalena, 9 anos
- "Será que o que eu vivo é um sonho e o que eu chamo de 'sonho' é que é a vida real?", Mariana, 12 anos
- "Porque é que inventaram as armas?", Pedro
- "Nada é sempre o mesmo, pois não? As coisas estão sempre a mudar!", António, 10 anos
- "Porque é que fazemos perguntas?", Igor
- "Quando as pessoas morrem, podem ser animais?", Rita, 9 anos
- "Porque é que as árvores não andam? E como será a vida noutras galáxias?", Gonçalo
- "Todos temos sentimentos. Porque é que algumas pessoas não os mostram?", Joana, 12 anos
- "De onde é que nasceram as cores?", Martim, 7 anos
- "Como é a vida dos outros?", Violeta
- "Porque é que os números são infinitos?", Diogo, 7 anos

E o clássico:

- "Porque é que existe a escola??", Bernardo

Fotografia do livro "Se não havia nada, como é que surgiu alguma coisa?" (Fundação Centro Cultural de Belém, Maio 2014)
(c)CCB / Manuel Ruas Moreira

Estas fotografias foram originalmente publicadas no livro de filosofia com crianças "Se não havia, nada como é que surgiu alguma coisa" (Edição Fundação Centro Cultural de Belém, Maio 2014), da autoria de Madalena Wallenstein, Rita Pedro, Ana Silvestre e Maria Gil (pelo Teatro do Silêncio) e prefácio de José Gil.



O livro está à venda no CCB e podem ver mais informação aqui.

Podem também ver outro post sobre este mesmo livro aqui.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Se não havia nada, como é que surgiu alguma coisa? - Pt.1

Como referi no post de ontem, algumas das fotografias que tenho tirado nos últimos anos foram usadas para ilustrar dois livros publicados pela Fundação Centro Cultural de Belém sobre o trabalho da Fábrica das Artes, o projecto educativo do CCB.

O primeiro destes livros, "Se não havia nada, como é que surgiu alguma coisa?", é uma reflexão sobre o ciclo “Pensamento, Filosofia e Contemplação Artística”, decorrido na Fábrica das Artes em 2012, e é constituído por quatro textos principais da autoria de Madalena Wallenstein, Rita Pedro, Ana Silvestre e Maria Gil (em nome do Teatro do Silêncio).

As imagens usadas são, acima de tudo, fotografias tiradas por mim e alguns dos intervenientes do ciclo (Rita Pedro, Pedro Silva, Ana Silvestre e Rodrigo Pereira) no decorrer das actividades sem que na altura tivéssemos consciência de que iriam ser publicadas num livro. O que não foi muito bom.

Da parte que me toca, entre as fotografias pelas quais sou responsável, confesso que há coisas de que me orgulho, coisas que nem por isso e coisas de que não gosto. Mas aprendi com todas elas (as boas e as más). E isso é muito bom.



Esta foto, ao contrário da maioria das outras, foi tirada propositadamente para o efeito e, talvez por causa disso, acabou por ser seleccionada para a capa.


Independentemente das imagens, o livro em si é muito, muito interessante, especialmente para pessoas que trabalhem nas áreas da educação e/ou da filosofia.

Está à venda no CCB e podem ver mais informação aqui.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Review: Lucifer, Book Five


Lucifer, Book Five
Lucifer, Book Five by Mike Carey

My rating: 5 of 5 stars



A near perfect ending to an amazing epic. I say near perfect only because many of the last chapters could have been the ending, but then there was another chapter and it was beautiful. And then another, and it was even better. And another, and I couldn't imagine a more fitting way to finish. But then Mike Carey and Peter Gross present us with "All we need of Hell" and, unsurprisingly, it feels like it's the only way it could have gone.
I guess the best I could say is that halfway through the book I stopped...
I hesitated because, in truth, I didn't want it to end.



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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Review: Magic Words: The Extraordinary Life of Alan Moore


Magic Words: The Extraordinary Life of Alan Moore
Magic Words: The Extraordinary Life of Alan Moore by Lance Parkin

My rating: 4 of 5 stars



Incredibly well researched and written, not only does this book offer the reader a detailed and fascinating profile of Alan Moore, it also provides an interesting glimpse into the worlds of the comic book and movie industries. This is a great piece of investigative journalism.



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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Review: Ser Espiritual


Ser Espiritual
Ser Espiritual by Luís Portela

My rating: 1 of 5 stars



Num livro que apresenta o subtítulo "Da evidência à ciência", é estranho que seja tão difícil encontrar qualquer "evidência" ou "ciência" nas suas páginas. O subtítulo deveria dizer "da teoria à pseudociência".

De uma maneira geral, o autor discorre sobre alguns conceitos interessantes, mas fá-lo de tal maneira que os torna absolutamente desinteressantes, não só pela maneira como escreve, como pela forma como defende as suas ideias: A lógica falaciosa que aplica regularmente; as referências vagas e recorrentes a "alguns estudos", "alguns autores", "alguns cientistas" para reforçar as suas teorias mal fundamentadas (o leitor atento perguntar-se-ia "quais estudos? Quais autores? Quais cientistas?"); a referência (nos raríssimos casos em que isso é feito) a estudos que são altamente questionáveis (por exemplo, "estudos" com recurso à hipnose e que o autor refere indirectamente como sendo um "método científico"...); o discurso em tom factual sobre questões para as quais não há quaisquer fundamento científico (reencarnação, recordações de vidas passadas, poderes extra-sensoriais, etc., etc.).

Acima de tudo, o meu maior problema com este livro é que se apresenta como sendo baseado em "evidência e ciência", mas cujo autor (médico e professor universitário, ainda por cima) parece não ter qualquer compreensão sobre o que são princípios científicos.

Se querem escrever sobre o "ser espiritual" de um ponto de vista científico, então, por favor, utilizem fundamentos científicos para o fazer.



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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Leitura nas nuvens

Quando estou a ler, o resto do mundo desaparece.


Se não estiver a caminho da inconsciência causada pelo cansaço ou pelo sono, basta-me ler uma ou duas linhas e puf! Deixo de ser "Manel, o tipo a ler um livro" e passo a ser "Manel, o observador invisível de uma história que não é a dele".

Por vezes, fico de tal forma imerso nas letras que me esqueço de coisas elementares... como a lei da gravidade, por exemplo. Sem dar por isso, acabo muitas vezes por descolar-me do chão e flutuar, à deriva pelo espaço.

O problema, como deverão calcular, é quando interrompo a leitura.

"Ena. Este livro é mesmo bom. Até parece que estou a voar", penso eu imediatamente antes de perceber que estou mesmo. "Mas, que...?", este último meio-pensamento é rapidamente seguido pela inevitável vocalização da expressão "AAAAAAAAAAAHHHHH!!!" e pela reverberação do som "BADUUUM!!".

Felizmente, quando me lembro da lei da gravidade, ainda demoro um pouco até me lembrar de que não é suposto ficarmos inteiros quando caímos do céu. Poderia ser pior, portanto. Como nas vezes em que me esqueço da teoria da força nuclear fraca e, sem dar por isso, desintegro-me e fico espalhado pelos quatro cantos do universo...

Nessas vezes, demoro sempre um pouco mais a voltar à Terra.

(Na foto podem ver a contracapa de "The Men Who Stare at Goats", de Jon Ronson.)


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Maravilhosos momentos BD, #1

Ah... Não não há nada como a BD.

Prova número 1:


"É um nabo, mas os meus instrumentos indicam que existe um pequeno universo paralelo lá dentro" - Doctor Snap.

Este momento BD é do fantástico "The Amazing Scew-On Head", de Mike Mignola (sim, eu sei, "o fantástico 'The Amazing, blá, blá, blá". Redundância titânica. Mas este livro é deveras extraordinário e merece alguns exageros de linguagem).

O Fantástico Amazing Screw-On Head é um agente especial que aparentemente está ao serviço de Abraham Lincoln. Como indica o nome, o agente Head é apenas uma cabeça que se aparafusa ao corpo robótico que mais lhe convém a qualquer dada situação.

Como se não bastasse, o livro tem ainda um zombie megalómano determinado a conquistar o mundo, um cão embalsamado falante, uma casa voadora, um monstro lovecraftiano (palavra inventada, claro, com base no escritor HP Lovercraft) e, claro, um nabo com um universo paralelo lá dentro.

Genial!




quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Escritor chamado ao Terminal 5

Antes de vos mostrar mais imagens do CCB Fora de Si, queria só deixar esta nota.

Quem fizer paragem no areoporto de Heathrow (em Londres), durante os próximos dias, é capaz de reparar num cavalheiro sentado numa mesa do Terminal 5 a escrever no seu portátil enquanto observa as pessoas que por lá passam.

Esse cavalheiro chama-se Alain de Botton e é autor de livros como Status Anxiety (e do excelente documentário sobre o mesmo tema), The Consolations of Philosophy ou The Pleasures and Sorrows of Work.

Alain de Botton está a preparar o seu próximo livro, A Week at the Airport: A Heathrow Diary.

Podem ver a notícia completa aqui.

E podem seguir o twitter do Alain de Botton aqui.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Prazos

Às vezes gostava de conseguir ter a mesma atitude positiva que tinha o Douglas Adams em relação aos prazos de entrega de trabalho...
«I love deadlines. I like the whooshing sound they make as they fly by». - Douglas Adams
Para quem não sabe, o senhor em questão é autor da série de livros mais hilariante deste quadrante do universo: «The Hitchhikers Guide to the Galaxy». (Há quem defenda que a obra prima de Tinhuco Michãonurabu, intitulada «Sinfonía de Pum! e Blam! em plim maior» e publicada no planeta Triblectorim, é mais divertida, mas eu discordo).
O Douglas Adams é um daqueles que faz parte da lista «Tipos e tipas que se levantaram da mesa da vida sem pedir autorização». Morreu de ataque cardíaco aos 49 anos, em 2001, claramente demasiado cedo...
Parece que o Eoin Colfer (autor de livros juvenis de fantasia e comediante) está a escrever mais um volume do Hitchhiker's Guide, o que é estranho. Nunca imaginei outra pessoa a escrever coisas como:
«The story so far: In the beginning the Universe was created. This has made a lot of people very angry and has been widely regarded as a bad move».
ou
«A common mistake that people make when trying to design something completely foolproof is to underestimate the ingenuity of complete fools».
Enfim... esperar para ver.