Mostrar mensagens com a etiqueta Parvoíces. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Parvoíces. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Aventuras e desventuras de Manelinês - Férias em Proença-a-Nova (1ª parte)

Com o Inverno pacientemente a preparar-se para nos emboscar já ao virar da próxima esquina, esta poderá não ser a melhor altura para partilhar fotos das nossas férias do Verão.

Mas visto que "agora" é uma palavra bem mais simpática e amigável do que "nunca", pode ser que afinal esta seja mesmo a melhor altura para partilhar fotos das férias do Verão. Portanto, que se lixe o Inverno (e a Troika, claro).


Hoje, porque gosto muito de vocês, levam com os pés. Ou seja, deixo-vos só com um cheirinho (em sentido figurado, claro. Tanto quanto sei, ainda não é possível fazer upload/download do chulé...) de um dos muitos passeios que fizemos pela zona de Proença-a-Nova (neste caso, perto da praia fluvial de Alvito da Beira). A necessidade constante de colocar os pés dentro de água (com ou sem sapatos) devia-se aos amenos 42 graus à sombra com que fomos gentilmente incinerados no dia em questão.


Garanto-vos que amanhã publico fotos com vistas mais apelativas.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Vida de insecto

Hoje resolvi voltar a brincar com as lentes macro. Fui ao Jardim das Oliveiras e tirei alguns retratos à fauna que por lá andava.



Infelizmente, só consegui fotografar estes dois exemplares. Parece que hoje foi dia de greve de micro-transportes e a grande maioria dos insectos que habitualmente populam a relva e as cascas das árvores deste jardim não conseguiram chegar ao trabalho.

Aparentemente, o automóvel também não é alternativa porque os escaravelhos e os bichos-da-conta cortaram relações com as formigas e só elas é que sabem conduzir. Além disso, dizem que há um problema qualquer de distância entre o banco e o volante. Não percebi bem.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Reflexo do homem sombra


Heh. Gosto de fazer estas brincadeiras de trocar o Norte às coisas.

Já agora, se uma sombra é a ausência de luz e o reflexo é causado pela luz a bater numa superfície e a voltar para trás, então o reflexo de uma sombra é o reflexo do nada.

E se o nada é nada, então o que é o reflexo do nada?

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Carreira 23 para Sejalá Ondefôr

Há muitos tempos atrás, num daqueles tempos em que o Casimiro ainda passeava pelas ruas de Lisboa, a carreira 23 da Carris não ia do Desterro para Algés. Nessa altura, ainda não existiam autocarros, só eléctricos, e o 23 era um veículo especial.

Agora, se pararem à beira do rio num dia de nevoeiro, algures entre Alcântara e Belém, é possível que consigam vislumbrar a antiga paragem do 23 no mesmo local onde antes se apanhava o carro eléctrico para a Aerodoca de Almada. Já quase ninguém se lembra, mas a Aerodoca foi, na altura, o maior centro de transportes do país, com perto de uma centena de partidas de Dragão ou Navio Espacial diariamente.

Esse tempo já se foi.

Com ele, foi-se também o velho 23 e o percurso que fazia, mergulhando no rio rumo a Oeste, passando pelas paragens Subtejo 1 e 2, Travessa do Mergulho e Forte de São Lourenço do Bugio, antes de fazer meia volta para Este, levantar voo e aterrar na estação de Orvalho Flutuante. A partir daí, os passageiros tinham de percorrer algumas dezenas de metros em nuvens especialmente preparadas para poderem então chegar à Aerodoca e partirem para locais tão famosos como as cidades perdidas de Sejalá Ondefôr ou Jálátive Manamelembroondié.



terça-feira, 5 de novembro de 2013

Vantagem da bicicleta


Andar de bicicleta em Lisboa tem vantagens e desvantagens. Às vezes, as desvantagens são mesmo chatas: subidas intermináveis com inclinações de noventa e tal graus, estradas repletas de buracos de profundidades variáveis (alguns com acesso directo à Nova Zelândia), frio (no Inverno), chuva (idem), taxistas mal dispostos, carris de eléctrico treinados especificamente para nos pregar rasteiras e famílias inteiras (incluindo o cão, o gato, o periquito, o peixinho de aquário, o farnel e a máquina de lavar loiça) que não têm mais nada que fazer do que ir passear e fazer piqueniques no meio das ciclovias.

Mas, carambra! Por vezes a paisagem parece do outro mundo.

Só que não é.

É mesmo deste mundo e está mesmo aqui ao pé de casa.

Só esta vantagem é maior do que todas as desvantagens.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

"Tem remédio para a Embolia Parlamentar?"

Numa banca na rua, um homem vendia ervas para todas as maleitas.

- Boa tarde. - disse eu - Tem alguma coisa para a Tensão Salarial Baixa?

- Infelizmente não, amigo. Esgotámos há coisa de seis meses e não sabemos quando voltará a haver.

- Ah... Então e para Varizes Governamentais?

- Não.

- Dores Ministeriais?

- Também não...

- Embolia Parlamentar?

- Er... espere só um bocadinho... - E desapareceu por baixo da bancada durante alguns segundos antes de emergir novamente com um ar desapontado - Pois. Também não. Mas olhe que temos um restinho de erva para a Insuficiência Política Crónica.

- Uau! - O meu entusiasmo era tal que, quando dei por mim, estava dar pulinhos no ar e a bater palmas como uma criança prestes a abrir as prendas na noite de Natal. - Ena, ena, ena! Granda pinta! E quanto custa?

- Bom, tendo em conta a actual conjuntura económica, as mordomias do mercado de capitais e as medidas impostas pelo memorando da Troika, o preço da erva para a Insuficiência Política Crónica está nos... - Com uma ligeira pausa no discurso, o vendedor retirou uma enorme calculadora de dentro de um alguidar e continuou - ... ora, deixe cá ver... cinco vezes três... hm... noves fora nada... mais sete porcento... a dividir por 0,7421235996... hmhm... Cá está!

- Então, está nos quê? Quanto é?

- Exactamente 189 mil e 979 milhões de Euros por quilo! - Respondeu, com um sorriso vitorioso.

- Mas... mas isso é o valor da dívida pública portuguesa.

- Ai é? Ah... Pois. Mas olhe que a calculadora não se engana. E então? Quer levar?

- Não, não. Deixe estar. Dê-me antes um saquinho de erva para a azia. Fiquei um bocadinho mal disposto...


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

"Lagarto, lagarto!"

Para terminar este penúltimo dia da série dedicada à Feira Medieval de Castro Marim, aqui ficam fotos de alguns bichos que não esperava encontrar numa reconstituição medieval.

Na primeira foto, podem ver o Sr. Bonifácio Reboliço, lagarto de poucas palavras, mas certo do seu pensamento.

O cavalheiro de verde chama-se Ludovico Lázaro e é um tarado do jogging. Três vezes por dia tem de sair para "dar uma corridinha até ali e já volto".

Esta senhora é a D. Esquivel Cascavel que, apesar de não ser verdadeiramente de origem cascavélica, herdou o apelido de uma avó que mudou de nome após a conclusão trágica de uma história de amor.

Este tipo é fanfarrão e tem a mania de dizer que dá cabo de qualquer um. Diz que se chama Godzilla...


Por fim, apresento-vos D. João Camaleão Q'Só Sabia Dizer Q'Não, antigo monarca de um reino longínquo que foi deposto pelos seus súbditos oprimidos. Um dia destes conto-vos a história.

Além destes personagens, estavam lá também vários tipos de sapos, uma considerável variedade de cobras, tartarugas e aranhas.


A barraca onde os animais estavam expostos tinha dimensões algo reduzidas para o número de pessoas que a frequentavam. Isso não facilitou muito a tarefa de os fotografar (aos animais, não às pessoas, entenda-se. Se bem que algumas pessoas comportavam-se como animais... Mais até do que os próprios... Acho que vi um tipo pendurado numa viga a balançar num só braço enquanto emborcava mais uma caneca de vinho e uivava "Ó Quim! 'nda cá ver! Tá'qui 'ma cobra!" Mas se calhar alucinei.... Enfim, estou a dispersar. Não liguem).

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Inês submersa, nº2

Como vos disse há pouco, este fim-de-semana capturei uma Inês Submersa na piscina da minha tia Ana.


A Inês Submersa é uma espécie muitíssimo rara (tão rara, aliás, que só há registo da existência de um espécimen em toda a história da humanidade) e, consequentemente, o seu valor é incalculável.

Estava eu calmamente à beira da água, a chapinhar os pés e a pensar no sentido da vida, quando... FLASH!! Um imenso clarão iluminou toda a piscina, tão intenso que, por momentos, tudo à minha volta ficou branco.

À medida que recuperava a visão, comecei a aperceber-me de algo que se movia na água, junto aos meus pés. Convencido de que estava a alucinar (resultado evidente do consumo excessivo das receitas deliciosas da minha tia), mantive-me mudo e imóvel (provavelmente de boca aberta e olhos esbugalhados) enquanto aquele ser maravilhoso se deslocava na água como uma sereia.

A minha pose heróica de estátua embasbacada só se desfez quando a Inês Submersa me tocou no pé e disse, com um sorriso doce:

- Blub. Blugublug, blb...

Claro. Estando ela debaixo de água e eu à superfície, a comunicação não era fácil. Portanto, enfiei a cabeça dentro de água e disse-lhe:

- Nhlub prblub nlub... - (Ou seja, "não percebi nada...")

Pelo ar de indagação desenhado na cara da Inês Submersa, percebi rapidamente que a minha mensagem também não tinha passado.

Mas eu não iria aceitar a derrota. Levantei-me num pulo, corri até à praia mais próxima e pedi a um caranguejo eremita que por lá passava se me emprestava o seu búzio. A negociação não foi fácil, mas acabei por conseguir trocar o empréstimo do búzio por uma maratona de documentários sobre a vida marinha em minha casa.

- Sabes, o meu primo é estrela de documentários, mas nunca o consigo ver porque a TV cabo não abrange a minha área de residência. - Explicou o caranguejo.

- Mas... a tua casa é portátil. Podes ir com ela para onde quiseres, não é?

- Nã, nã. Esta é só a minha casa de férias. Achas que eu ia andar o ano todo com a casa às costas? Nã, nã. Tenho mais que fazer, pá!

Munido de um búzio, corri de volta para a piscina onde a Inês Submersa ainda me esperava. Ajoelhei-me à beira da água, segredei algumas palavras para dentro do búzio e coloquei-o na água. A Inês Submersa encostou-o ao ouvido, fez uma pausa e olhou para mim sorridente antes de segregar também qualquer coisa para dentro do búzio.

Retirei o búzio das mãos dela e pressionei-o firmemente contra o meu ouvido direito, com medo de perder alguma palavra.

- Amor? - Disse a voz dentro do búzio - Estás a sonhar acordado outra vez?

- Não sei.

FIM

P.S. -  Porque gosto muito das duas versões, aqui fica a foto original. Na versão a preto e branco usei um filtro azul para fazer o efeito que podem ver em cima.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Leitura nas nuvens

Quando estou a ler, o resto do mundo desaparece.


Se não estiver a caminho da inconsciência causada pelo cansaço ou pelo sono, basta-me ler uma ou duas linhas e puf! Deixo de ser "Manel, o tipo a ler um livro" e passo a ser "Manel, o observador invisível de uma história que não é a dele".

Por vezes, fico de tal forma imerso nas letras que me esqueço de coisas elementares... como a lei da gravidade, por exemplo. Sem dar por isso, acabo muitas vezes por descolar-me do chão e flutuar, à deriva pelo espaço.

O problema, como deverão calcular, é quando interrompo a leitura.

"Ena. Este livro é mesmo bom. Até parece que estou a voar", penso eu imediatamente antes de perceber que estou mesmo. "Mas, que...?", este último meio-pensamento é rapidamente seguido pela inevitável vocalização da expressão "AAAAAAAAAAAHHHHH!!!" e pela reverberação do som "BADUUUM!!".

Felizmente, quando me lembro da lei da gravidade, ainda demoro um pouco até me lembrar de que não é suposto ficarmos inteiros quando caímos do céu. Poderia ser pior, portanto. Como nas vezes em que me esqueço da teoria da força nuclear fraca e, sem dar por isso, desintegro-me e fico espalhado pelos quatro cantos do universo...

Nessas vezes, demoro sempre um pouco mais a voltar à Terra.

(Na foto podem ver a contracapa de "The Men Who Stare at Goats", de Jon Ronson.)


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Manel e a conspiração dos peixes, 2ª parte


Como vos tinha dito ontem, estive na Biblioteca Esquecida dos Assuntos Submersos à procura de uma explicação para a conspiração dos peixes.

Na recepção falei com o Sr. Eliseu, bibliotecário extraordinário, e expliquei-lhe a minha situação.

- Boa tarde Sr. Eliseu. Como está? Os caranguejos voadores continuam a dar-lhe problemas?

- Hrm. Bah. - Resmungou o ancião, antes de desencostar o nariz do livro de registos - Que praga, meu jovem. Demorei quase dois anos para conseguir livrar-me das Cnidaria Scyphozoa Cantanti e agora tenho as prateleiras cheias destes Callinectes Sapidus Volitans que só querem saber de livros sobre "pensamento lateral".

- Realmente... Alguma coisa que eu possa fazer?

- Não, não. Hrm. Isto há de se resolver. - Respondeu com um ar sereno, antes de se levantar bruscamente, dar um valente murro na mesa e gritar com todo o poder dos seus pulmões - SEUS MARGINAIS!

Durante alguns segundos o Sr. Eliseu ficou ali, parado como uma estátua, de punho erguido aos céus e uma expressão de fúria no rosto, cujas rugas despertavam memórias de um o mar revolto numa noite de tempestade.

- Hrm. Mas diga lá, meu jovem. O que trás por cá? - A fúria desapareceu tão rapidamente quanto apareceu.

- Bom. Sabe. Acho que existe uma conspiração de peixes contra mim.

- Ah, sim? E porque é que diz isso? 

- Porque, ao contrário das outras pessoas, nunca consigo comer peixe sem cravar espinhas nas gengivas. A conclusão é irrefutável.

- Hrm. Acho que já li qualquer coisa sobre isso... Só um momento.

Num piscar de olhos, o Sr. Eliseu deslizou como uma enguia entre uma parede de estantes e o que parecia ser um enorme ídolo pertencente a uma qualquer civilização esquecida.

Enquanto esperava, distraí-me a observar o que faziam os restantes clientes da biblioteca.

Junto à proa de um colossal navio onde se lia o nome "Argo", o deus assírio-babilónico Dagon e o Adamastor riam-se a bandeiras despregadas enquanto trocavam excertos de H.P. Lovecraft e Camões. Um pouco mais perto, dentro de uma garrafa de rum poisada na terceira prateleira de uma estante feita de coral, o Neils Olgerson contava histórias da sua maravilhosa aventura a um liliputiano gordo e claramente cheio de sono.

- Aqui está, meu jovem. Hrm. - Disse o Sr. Eliseu, enquanto me entregava cinco volumes escritos numa língua estranha.

- Muito obrigado. Mas eu não ser ler esta...

- Balquinaquês.

- Isso. Não sei ler balquinaquês.

- Não se preocupe. Hrm. Aqui está um dicionário Balquinaquês-Português.

Munido de toda a informação necessária, entreguei-me à árdua tarefa de decifrar os livros que me foram entregues. Naturalmente, comecei pelos títulos, não só porque estava curioso sobre a identidade daqueles tomos ricos em conhecimento, mas também porque sou preguiçoso e só tinham uma palavra cada um.

Consultando o dicionário, decifrei rapidamente o primeiro título:

"aprende"

O segundo:

"a"

O terceiro:

"usar"

O quarto:

"os"

E finalmente o quinto:

"talheres".

FIM

terça-feira, 31 de julho de 2012

Manel e a conspiração dos peixes, 1ª parte


Ontem comi carapaus ao jantar e, como é hábito, trinquei e cravei nas gengivas uma dose considerável de espinhas. Por muito que esgravate o peixe antes de meter uma garfada à boca, não há maneira de me livrar daquelas navalhas de esqueleto marinho perfeitamente camufladas no meio da carninha suculenta.

No entanto, farto-me de ver outras pessoas a comer peixe sem se queixarem. Passam com a faca aqui (zip), passam com a faca ali (zup), afastam as espinhas dorsais (zup-tic), separam metade do peixe num movimento único e fluído (zip-plec) e procedem a ingerir o dito cujo com enormes garfadas absolutamente livres de espinhas (gulp, naturalmente) . Eu, por outro lado, acabo sempre em batalhas dignas de um documentário da National Geographic, a debater-me com autênticas adagas que tentam chegar ao meu cérebro através do céu da boca.

Parece-me, portanto, que existe uma conspiração contra mim. Os peixes estão decididos a tramar-me, mesmo depois de mortos!

Ao chegar a esta conclusão cuja veracidade é evidente e inabalável, decidi pesquisar as razões que levaram a tão maquiavélico plano. Para isso, desloquei-me à Biblioteca Esquecida dos Assuntos Submersos (que só é acessível através da ponte de raios de sol que aparece em Lisboa ao final do dia) e pedi ao Sr. Eliseu, bibliotecário extraordinário, toda a informação que tivesse sobre peixes e espinhas.

A Biblioteca Esquecida dos Assuntos Submersos é um lugar vasto onde estão arquivados todos os segredos esquecidos nas profundezas dos oceanos. É lá que estão guardados os ossos do primeiro Kraken e os restos ferrugentos de vários navios desaparecidos no Triângulo das Bermudas. É lá que estão os pergaminhos da biblioteca da Atlântida e os escafandros do Nautilus. Nas minhas visitas aos corredores da biblioteca é frequente encontrar por lá muita gente curiosa, como o Tritão, que invariavelmente tenta convencer o Sr. Eliseu a não pagar multa por entregar livros em atraso, ou a ninfa Loreley, que insiste em cantar "I am a rock", de Simon e Garfunkel, (o que naturalmente não é muito bem visto pelo Sr. Eliseu e os restantes visitantes) enquanto lê livros sobre naufrágios nos rios da Alemanha.

Estou a dispersar.

Atendendo ao meu pedido, o Sr. Eliseu, bibliotecário extraordinário, trouxe-me vários volumes sobre o assunto desejado. Foi aí que descobri a verdade sobre a conspiração dos peixes...

Mas o resto da história fica para amanhã. Este texto já está muito longo e tenho mais que fazer.

Até amanhã.

(Nota, 1 de Agosto: Já podem ler a conclusão aqui.)

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Aníbal, o micróbio

Há dois ou três dias atrás, estava eu tranquilamente a pensar na morte da bezerra quando, de repente, fui violentamente agredido por um espirro traiçoeiro. O vilão aproximou-se de mim na calada da tarde e atacou-me impiedosamente com uma gigantesca marreta.

Naturalmente, isso fez com que deixasse de pensar na morte da bezerra (que aliás já morreu tantas vezes na cabeça de tanta gente que já ninguém lhe liga nenhuma). Em vez disso, comecei a pensar sobre o que se passa dentro dos nossos narizes. E foi aí que me lembrei da história de Aníbal, o micróbio directório.

Aníbal era um micróbio que não tinha uma função muito bem definida na comunidade microbiótica em que vivia (no interior de um humano qualquer). Ele tinha no entanto amigos nos mais altos níveis da sociedade e, como tal, era igualmente considerado um micróbio de prestígio. Ora bem, como figura de prestígio que era, não tardou a que Aníbal fosse nomeado para uma posição equivalentemente prestigiante: a de Director do Nariz.

Aníbal queria ser um grande líder e pensou "para ser um grande líder é necessário ser respeitado; para se ser respeitado é necessário ser temido; para se ser temido é necessário criar dúvida e incerteza; e, acima de tudo, é necessário que ninguém perceba que o líder não faz ideia o que está a fazer". Seguindo esta lógica inquestionável, Aníbal tratou rapidamente de emitir as suas primeiras ordens através dos fiéis súbditos que ocupavam agora vários postos hierárquicos que criou especialmente para o servirem:

"Por decisão da administração e do Sr. Prof. Dr. Director do Nariz, Aníbal Micróbio, foi determinado que:

1 - A partir da próxima terça-feira, os funcionários da narina esquerda deverão fazer o pino sempre que o Exm.º Sr. Prof. Dr. Director entre no edifício, excepto às segundas-feiras à tarde;

2 - A partir da próxima terça-feira, os funcionário da narina direita deverão cantar o primeiro acto do Barbeiro de Sevilha todas as manhãs, mas apenas até ao distinto Sr. Prof. Dr. Director sair da casa de banho;

3 - A partir da próxima terça-feira, as Fossas Nasais passarão a chamar-se Poços Nasais. Porque sim.

4 - Na próxima terça-feira será feita uma intervenção no sentido de acolchoar as paredes das Narinas Esquerda e Direita para maior conforto dos convidados do ilustre Sr. Prof. Dr. Director."


Durante vários dias, os funcionários do nariz deram o seu melhor para corresponder às exigências do seu novo líder.

Mas um nariz é um nariz. E um nariz faz o que um nariz faz. A confusão causada pelas novas directrizes causaram comichão e, com um valente espirro,  Aníbal e os seus fiéis súbditos foram projectados para a imensidão branca e luminosa de um lenço de papel.

Fim.

P.S. - Sei que a imagem tem pouco ou nada a haver com a história de Aníbal,o micróbio. Mas como devem calcular não é fácil fotografar micróbios (são muito tímidos, os tipos). Tirei a foto esta manhã no Monte Estoril.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Deslocação matinal de um ser quântico

A esta distância não é perceptível, mas estas linhas de sombra são estradas de informação ultra-rápidas percorridas ininterruptamente por minúsculos seres quânticos (ora estão cá, ora não estão) sempre atarefados na suas deslocações trabalho/casa, casa/trabalho.

O Sr. Qlct' Ptrt, por exemplo, vê-se obrigado todos os dias a utilizar a via mais congestionada para chegar ao escritório, uma comuta que demora uns intermináveis 0,00000012 nanosegundos, mas que lhe permite apanhar a Corrente Telepática Oriental das 5h55m55s. Com essa injecção de velocidade adicional, o Sr. Qlct' Ptrt ainda chega a tempo de relaxar por uns momentos e apreciar a deslumbrante vista que só é possível obter às 6h00 em ponto a partir da 13ª onda do primeiro raio de luz reflectido no 52º parafuso da segunda torre da Ponte 25 de Abril.

(Esta é uma foto da Escultura Habitável instalada no Jardim das Oliveiras do CCB, em Lisboa)

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Conversa entre espelhos

Estava um espelho num café a olhar para outro espelho. O outro espelho, sendo ele um espelho também, olhava de volta para o primeiro espelho.

Diz o segundo espelho, "ouve lá, ó espelho! Já me estás a mexer com os nervos. Pára de me imitar!"

(Esta foto foi tirada na Confeitaria Nacional, na Praça da Figueira, em Lisboa)

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Entardecer em Lisboa (de bicicleta), nº7

Pouca gente sabe isto, mas existem alguns sítios em Lisboa em que é possível apanhar um ponte de raios de sol. Tem de ser a uma hora muito específica e o local varia conforme a época do ano, o que torna muito difícil encontrá-la.

O fenómeno dá-se no segundo exacto entre o momento em que ainda se vê uma linha de sol no horizonte e o momento em que já não a vemos. É nesse derradeiro instante do dia que podemos pisar o feixe de luz que se estende à nossa frente (se estivermos no local certo e na orientação certa) e deixar-nos levar na ponte de luz. Por ser um momento tão fugaz, a maioria das pessoas não se apercebe quando ela aparece e desaparece. Basta um piscar de olhos de distracção (a pensar em trabalho, dinheiro ou qualquer outro buraco negro da adultísse) e... puf!

...escapou-se.

Se, pelo contrário, concentrarmos toda a nossa atenção no evento então o efeito sonoro é mais parecido com "zooooooooom"! Primeiro partimos em voo a uma velocidade vertiginosa, tão estonteante que a paisagem se transforma num borrão de linhas coloridas. Mas à medida que a viagem estabiliza, começamos a abrandar e a perceber que afinal a ponte é feita de várias cores que seguem por caminhos diferentes.

A partir daí, só nos resta escolher um caminho e ver onde nos leva.

Recentemente, descobri que é mais fácil apanhar a ponte se for de bicicleta.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

"Aqui há galo"

Diz o povo, quando há qualquer coisa que não está a bater certo e se desconfia de aldrabice, que "aqui há gato".

Mas hoje pus-me a pensar nesta expressão (sim, também o faço vez em quando, apesar de nem sempre correr bem) e cheguei à conclusão de que, em Portugal, neste momento, não faz muito sentido. Portanto sugiro que se altere a título provisório a frase para "aqui há galo".

"Porquê?", perguntam vocês.

1º - Porque já passámos muito além da desconfiança e atingimos a certeza absoluta. Não só sabemos que a aldrabice é um empreendimento de grande sucesso, como sabemos muito bem quem são os seus empreendedores (muitos deles são grandes apreciadores da palavra "empreendedorismo");

2º - Porque chamar "gato" a qualquer um desses indivíduos é um insulto a qualquer felino, até para o gato zarolho e sarnento que invade a casa da D.ª Almerinda todas as semanas para lhe roubar o queijo e mijar no naperon que está em cima da TV;

3º - Porque existe um Galo de Barcelos e não existe um Gato de Barcelos (ou de seja o que for);

4º - Porque, como diz um amigo meu, às vezes dá vontade de dizer "é preciso ter galo para nascer em PortuGalo".

E com esta conversa sobre galos, deixo-vos com algumas destas aves galiformes, habitantes do jardim do Campo dos Mártires da Pátria, em Lisboa.

(Esta última é uma galinha, claro).

terça-feira, 12 de junho de 2012

Last one standing

O dono virou-se para o cão e disse: "Deita!"

Estas cadeiras não perceberam que não era com elas e atiraram-se prontamente para o chão.

Mas uma delas ficou de pé e as outras perguntaram-lhe: "Porque é que não te deitaste quando o dono mandou?"

E a cadeira que ficou de pé respondeu: "Perdão? Desculpe, tem de falar mais alto. Sou surda de um ouvido".

(Tenho a certeza de que há uma lição de moral qualquer escondida nesta história, mas ainda não descobri qual é...)