Há já muito tempo que não publicava "Rabiscos ao Calhas" aqui no blogue (o último foi em Dezembro do ano passado). Algo que se deve ao facto de não desenhar há já muito tempo.
Este saiu-me dos dedos enquanto assistia a um episódio de uma série de ficção-cientifica. O desenho não tem nada a ver com a série, mas parece-me que tem a ver com a história "O homem de metal e a mulher numa caixa de vidro" que publiquei aqui em Junho. Escrevo "parece" porque o desenho foi aparecendo no papel sem que eu lhe desse muita atenção.
Pensando bem nisso, acho que a grande maioria dos meus desenhos foram feitos quando estava distraído com outra coisa qualquer. Se calhar é esse o segredo para voltar a desenhar: não pensar muito no assunto e só desenhar quando estou distraído.
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quarta-feira, 25 de julho de 2012
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Rabiscos ao calhas, #14
Já não publicava um rabisco ao calhas há muito tempo. Na verdade não tenho desenhado quase nada ultimamente porque ando mais virado para a fotografia.
Mas tinha este rabisco abandonado no caderno de notas e já estava a sentir-se sozinho. Por isso, aqui fica: a minha interpretação do Batmobile (versão voadora).
Mas tinha este rabisco abandonado no caderno de notas e já estava a sentir-se sozinho. Por isso, aqui fica: a minha interpretação do Batmobile (versão voadora).
domingo, 11 de julho de 2010
Rabiscos ao calhas #13
Com o regresso da Esfera de Sonhos, não podia faltar muito para estarem também de volta os Rabiscos ao Calhas.

Hoje deixo-vos mais um ET do planeta longínquo de Triblectorim. Este pertence a uma espécie aquática que vive em pequenas aldeias submersas.
Os triblectorianos aquáticos são descendentes dos mesmos antepassados que os triblectorianos da superfície.
Há 2,25 milhões de anos atrás (cada ano triblectoriano corresponde, mais ou menos, a 1,23 anos terrestres. Façam as contas se quiserem) um desses antepassados, o intrépido Boub 'da Kwort (Bobo para os amigos), achou que era capaz de ser boa ideia dar uma espreitadela à tona de água. Virou-se para os amigos e disse:
- Malta, bóra lá acima dar uma espreitadela à tona d´água!
- Pá, lá em cima é uma seca, pá. Tá-se bem aqui.
- Mas bóra lá.
- Não.
- Sim!
- Não.
- Sim!
- Err… Não.
- Prontos. Tá bem. Vou sozinho. Mas fiquem a saber que não gosto mais de vocês.
E foi assim que começou a grande aventura evolutiva (ou não) dos triblectorianos da superfície.
Os aquáticos lá ficaram e 2,25 milhões de anos mais tarde nasceu o Grewnd p’Larma (Palerma para os amigos), que podem agora ver nesta ilustração. O Palerma gosta de salsichas de vrootvroot (uma espécie de peixe muito comum nos oceanos de Triblectorin), de recortar o jornal do pai para fazer colagens e de filmes de terror (o seu favorito é o “Invasores do Outro Mundo 2 – O Monstro do Planeta Terra”).
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Rabiscos ao calhas #12 (Personagens alados)
E pronto. Cá fica o último desta série de personagens alados... pelo menos por enquanto.
Queria mostrar muitos mais, mas perdi grande parte da bonecada que tenho feito ao longo dos anos. Parece que os rabiscos com asas... bom... voaram.
Este foi feito durante um almoço, quando ainda exercia aquela profissão que teimam em chamar "jornalismo".

sábado, 12 de setembro de 2009
Rabiscos ao calhas #11 (personagens alados)
Pensei que tinha mais desenhos de malta com asas... a grande maioria deve ter desaparecido juntamente com um monte de outros rabiscos durante uma das minhas frequentes mudanças de casa.
Enfim. Aqui fica um mais recente.
Eu sei que já tinha mostrado este antes, no meu anterior blog. Por isso, para não me começarem a chamar batoteiro, tomem lá mais um:
Enfim. Aqui fica um mais recente.
Eu sei que já tinha mostrado este antes, no meu anterior blog. Por isso, para não me começarem a chamar batoteiro, tomem lá mais um:sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Rabiscos ao calhas #10 (Personagens alados)
A minha veia de desenhador só aparece ocasionalmente. Por vezes passo meses e meses sem tentar rabiscar nada. Outras vezes, as tentativas não correm bem e, portanto, deixo passar mais meses e meses.
Pelo contrário, quando as tentativas são bem sucedidas entro muitas vezes em fases compulsivas em que tenho de rabiscar todos os papeis, papelinhos e papelotes que me aparecem pela frente.
Esta cadência sazonal da minha queda "desenhística" faz com que os próprios temas daquilo que rabisco sejam também cíclicos.
Já tive o período dos dragões (como puderam ver num post antigo), já tive o período das experiências de perspectiva (acima de tudo com objectos e edifícios) e tive também o período das personagens aladas.
Nos próximos dias vou-vos mostrar algumas das bonecadas que fiz com este último tema.
Para começar, um que fiz há quase 10 anos:
Isto foi numa altura em que comecei a tentar usar os dedos para esborratar o lápis de modo a melhorar os efeitos de sombra... já não me lembrava disto.
Por vezes, o efeito pode ser interessante, mas, outras vezes, parece que torna o desenho mais artificial.
Pelo contrário, quando as tentativas são bem sucedidas entro muitas vezes em fases compulsivas em que tenho de rabiscar todos os papeis, papelinhos e papelotes que me aparecem pela frente.
Esta cadência sazonal da minha queda "desenhística" faz com que os próprios temas daquilo que rabisco sejam também cíclicos.
Já tive o período dos dragões (como puderam ver num post antigo), já tive o período das experiências de perspectiva (acima de tudo com objectos e edifícios) e tive também o período das personagens aladas.
Nos próximos dias vou-vos mostrar algumas das bonecadas que fiz com este último tema.
Para começar, um que fiz há quase 10 anos:
Isto foi numa altura em que comecei a tentar usar os dedos para esborratar o lápis de modo a melhorar os efeitos de sombra... já não me lembrava disto.Por vezes, o efeito pode ser interessante, mas, outras vezes, parece que torna o desenho mais artificial.
terça-feira, 23 de junho de 2009
Rabiscos ao calhas #9
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Rabiscos ao calhas #8 (Especial Dias da Música)
Nos Dias da Música em Belém (que decorreram no fim-de-semana passado), uma das oficinas em que trabalhámos chamava-se "Tempus Fugit - A Arte da Fuga".
Durante uma das reuniões de preparação para o evento alguém falou na possibilidade de a Marta Rego fazer uma ilustração com o Bach a fugir de um grifo. A Marta acabou por optar por algo diferente, mas, durante a reunião fui rabiscando rapidamente algumas coisas no meu caderno.
Aqui está o resultado:
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Rabiscos ao calhas #7
Conforme prometido no post anterior, aqui fica mais um rabisco ao calhas.
Há uns anos atrás, comecei a escrever o argumento para uma BD policial. Cheguei ao terceiro capítulo e o primeiro até foi ilustrado (não por mim), mas acabei por deixar cair o projecto (como muitos outros) e nunca mais lhe toquei.
No entanto, de vez em quando, a minha alembradura tropeça e cai "lá práqueles lados".
Este rabisco foi feito há poucas semanas e é de uma das cenas da BD.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Rabiscos ao calhas (mas pouco) #6
Ena! O tipo afinal ainda mexe!
Sim, é verdade, já não passo por aqui há demasiado tempo. Mas, em vez de me desfazer em justificações, vou é andar prá frente e fingir que não se passou nada. Façam de conta que tenho escrito tudo e mais alguma coisa, ok?
Como tinha dito há alguns post atrás, os meus "Rabiscos ao calhas" têm dado frutos. Depois da folha de sala do Palavras de Caramelo, os meus gatafunhos foram parar à capa do programa para graúdos da Fábrica das Artes do CCB.
Aqui está ela:

A ideia é da minha Inês (a concretização, minha) e foi criada para ilustrar as oficinas para graúdos que a Inês vai fazer no CCB no final de Maio, com o título "Tralha".
Mas isto não fica por aqui. Além desta ilustração, a programação tem ainda uma foto tirada por mim para as oficinas das Artes nas Férias do Verão (também baseadas na ideia da "Tralha" da Inês). Aqui vai:
A foto foi tirada no sótão de casa da minha mãe, uma verdadeira campeã da tralha. Aliás, acho que é uma característica comum a toda a família... eu inclusive.
Se virem a programação central do CCB, também vão lá encontrar a ilustração e a foto (nas páginas 63 e 83, respectivamente).
E pronto, por hoje é tudo. Nos próximos dias, vou "postar" (palavra nova) uma série de "Rabiscos ao calhas" que tenho feito no caderno.
Até amanhã.
Sim, é verdade, já não passo por aqui há demasiado tempo. Mas, em vez de me desfazer em justificações, vou é andar prá frente e fingir que não se passou nada. Façam de conta que tenho escrito tudo e mais alguma coisa, ok?
Como tinha dito há alguns post atrás, os meus "Rabiscos ao calhas" têm dado frutos. Depois da folha de sala do Palavras de Caramelo, os meus gatafunhos foram parar à capa do programa para graúdos da Fábrica das Artes do CCB.
Aqui está ela:

A ideia é da minha Inês (a concretização, minha) e foi criada para ilustrar as oficinas para graúdos que a Inês vai fazer no CCB no final de Maio, com o título "Tralha".
Mas isto não fica por aqui. Além desta ilustração, a programação tem ainda uma foto tirada por mim para as oficinas das Artes nas Férias do Verão (também baseadas na ideia da "Tralha" da Inês). Aqui vai:
A foto foi tirada no sótão de casa da minha mãe, uma verdadeira campeã da tralha. Aliás, acho que é uma característica comum a toda a família... eu inclusive.Se virem a programação central do CCB, também vão lá encontrar a ilustração e a foto (nas páginas 63 e 83, respectivamente).
E pronto, por hoje é tudo. Nos próximos dias, vou "postar" (palavra nova) uma série de "Rabiscos ao calhas" que tenho feito no caderno.
Até amanhã.
sábado, 31 de janeiro de 2009
Rabiscos ao calhas (mas pouco) #5
Num desenvolvimento inesperado de eventos, os meus rabiscos ao calhas começaram a dar frutos.
Depois de muitos gatafunhos sem destino feitos no papel de mesas de restaurante, para apenas serem publicados aqui no blog ou guardados numa gaveta, apareceu um com objectivo prédestinado.
Na folha de sala (aquela folhinha que é destribuida à entrada de um espectáculo) de «Palavras de Caramelo», uma peça de marionetas que está agora (até domingo) a decorrer no CCB, aparece o seguinte jogo de diferenças:

Pois é. Depois de verem o rabisco ao calhas que publiquei aqui antes (aquele com a senhora sem pupilas, como assinalou convenientemente a prima Sapinho), deixei que me convencessem de que era também capaz de fazer "um rapaz e o seu amigo camelo".
Como ainda tenho de aprender como é que se diz «não» a pessoas simpáticas, disse que «tá bem, vou tentar».
Como é óbvio, exactamente 0,28 segundos mais tarde estava a trincar o lábio e a chamar nomes a mim próprio...
O pior é que ainda não tinha tido oportunidade (e ainda não tive) de ver a peça. Tudo o que sabia era que falava de um rapaz surdo e do seu amigo Caramelo, um camelo.
Lá me puz ao trabalho e, voilá! Logicamente, recorri a referências (sim, o que é que achavam? Que passo a vida a desenhar camelos?).
O desenho está um pouco detalhado demais, visto que as marionetas do «Palavras de Caramelo» são muito simples (e mágicas por isso mesmo). Mas estou contente.
Já agora, aqui fica o desenho a preto e branco,
como estava antes de ser adaptado à palete de cores da folha de sala pelo espectacular departamento gráfico do CCB.
Espero que gostem.
Se tudo correr bem, vou ter mais um «rabisco ao calhas (mas pouco)» muito em breve.
domingo, 18 de janeiro de 2009
Rabiscos ao calhas #4
Os meus últimos comentários têm sido mais ou menos intercalados. Um leva ao outro, que leva ao outro...
Para não quebrar a corrente, aqui fica um rabisco ao calhas que tem a ver com o meu novo poiso.
Foi feito à vista e, supostamente, está semelhante a uma pessoa conhecida.
Conseguem perceber quem é?
O olho esquerdo da senhora podia estar melhor e a cara ficou mais larga do que deveria, mas o resultado final até não ficou mal.
Comentários?
Para não quebrar a corrente, aqui fica um rabisco ao calhas que tem a ver com o meu novo poiso.Foi feito à vista e, supostamente, está semelhante a uma pessoa conhecida.
Conseguem perceber quem é?
O olho esquerdo da senhora podia estar melhor e a cara ficou mais larga do que deveria, mas o resultado final até não ficou mal.
Comentários?
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Rabiscos ao calhas #3

Há muito tempo atrás, numa galáxia longinqua... tive uma fase de fascínio por dragões. Li sobre dragões, coleccionei dragões, colei posters com dragões nas paredes do quarto e tentei desenhar dragões.
Como podem ver, os resultados foram mais ou menos o que se pode chamar um bocadinho absolutamente muito desastrosos.
Este foi feito em 1995, tinha eu 19 anos.
O problema é que, a partir de certa altura, toda a gente me dava coisas com e sobre dragões «para a tua colecção». Ao fim de uns anos, já quase não podia ver os bicharocos à minha frente.
Cheguei a receber tralha do Futebol Clube do Porto por causa da porcaria da mascote! Xiça!
Cheguei a receber tralha do Futebol Clube do Porto por causa da porcaria da mascote! Xiça!
Bom, entretanto a coisa acalmou e, passado uns anos, pude voltar gostar do tema sem ser inundado por coleccionáveis. Daí que, quando recomecei a (tentar) desenhar, voltei a tentar pegar no tema dragónico para ver no que dava.

E o resultado foi este:
Ainda comecei com experiências no Photoshop, mas confesso que não tive paciência para ir até ao fim.
Seja como for, aqui fica uma versão inacabada.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Rabiscos ao Calhas #2
Antes que pensem que fiz «puf» e desapareci da face da terra, talvez seja boa ideia dar sinal de vida.

Tenho um monte de tópicos a remoerem-me o cérebro, mas preciso de tempo para os despejar no blogue. Vou tentar arranjar uma coisa dessas (tempo) durante o fim-de-semana.
Para já, fiquem com mais um rabisco ao calhas.
Um ET junto à cidade de Ablactarib, no planeta longínquo de Triblectorim (na língua original é absolutamente impronunciável).

Tenho um monte de tópicos a remoerem-me o cérebro, mas preciso de tempo para os despejar no blogue. Vou tentar arranjar uma coisa dessas (tempo) durante o fim-de-semana.
Para já, fiquem com mais um rabisco ao calhas.
Um ET junto à cidade de Ablactarib, no planeta longínquo de Triblectorim (na língua original é absolutamente impronunciável).
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Rabiscos ao calhas
Depois de ter incluido o esboço do meu sonho no último post, lembrei-me que no blog anterior tinha começado a publicar com (alguma) regularidade o que chamei de "Rabiscos ao jantar".
Como expliquei na altura, sou um rabiscador compulsivo de toalhas de papel. Não resisto a escrevinhar gatafunhos na superficie branca das mesas dos restaurantes.
Grande parte das vezes (a maior, aliás) o resultado é pouco famoso, mas, de vez em quando, lá vão saíndo bonecadas minimamente aceitáveis.
Mas depois comecei a pensar que a ideia dos "Rabiscos ao jantar" era um pouco limitada. O que fazer aos rabiscos feitos durante o almoço (especialmente tendo em conta que almoço fora mais vezes do que janto)? E durante o pequeno-almoço ou lanche? E os feitos no meu caderno durante as reuniões de trabalho?

Por isso, desta vez resolvi adoptar o tema "Rabiscos ao calhas". Não só porque podem ter sido feitos em qualquer lado, mas também porque podem ter sido feitos em qualquer altura. Ou seja, vão aqui aparecer bonecadas de ontem, da semana passada, do mês passado ou de há vários anos.
Aqui fica um relativamente recente.
Feito durante o almoço, há algumas semanas atrás.
Como expliquei na altura, sou um rabiscador compulsivo de toalhas de papel. Não resisto a escrevinhar gatafunhos na superficie branca das mesas dos restaurantes.
Grande parte das vezes (a maior, aliás) o resultado é pouco famoso, mas, de vez em quando, lá vão saíndo bonecadas minimamente aceitáveis.
Mas depois comecei a pensar que a ideia dos "Rabiscos ao jantar" era um pouco limitada. O que fazer aos rabiscos feitos durante o almoço (especialmente tendo em conta que almoço fora mais vezes do que janto)? E durante o pequeno-almoço ou lanche? E os feitos no meu caderno durante as reuniões de trabalho?

Por isso, desta vez resolvi adoptar o tema "Rabiscos ao calhas". Não só porque podem ter sido feitos em qualquer lado, mas também porque podem ter sido feitos em qualquer altura. Ou seja, vão aqui aparecer bonecadas de ontem, da semana passada, do mês passado ou de há vários anos.
Aqui fica um relativamente recente.
Feito durante o almoço, há algumas semanas atrás.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Sonho de uma cidade
Ora bem, voltemos então ao sonho.
Como vos disse antes, passei a noite toda a entrar e a sair de sonhos sem que tivesse tempo para me ajustar. Fechei os olhos e...
WHAM! KRAKAAAAA-POW! KRRRRPUUUM! Estou no meio de uma tempestade. A chuva cai torrencialmente através da noite e atinge-nos como um jacto de água. A única luz que temos é a dos relâmpagos que ocasionalmente rasgam o céu.
Olhando em redor, vejo que estou à entrada de uma gruta cujo interior está coberto em trevas. Não sei se está ocupada. Fico à espera de ouvir o rosnar de um animal selvagem, mas não consigo distinguir nada com o estrondo da chuva e da trovoada.
À minha volta está mais gente: dois homens e três mulheres que não reconheço. Todos estamos cobertos de lama da cabeça aos pés. Tudo está cinzento...
Poderá parecer o cenário ideal para um pesadelo, mas a verdade é que não estou com medo. Pelo contrário, estou excitado com a tempestade e o trabalho que temos pela frente.
Alguém grita:
- Então, Manel!? Toca a cavar como toda a gente!
Pondo as mãos à obra, agarro numa pá e enterro-a na lama. É espessa, mas ao mesmo tempo mole e fácil de deslocar, o que facilita a tarefa. De repente já sei o que temos de fazer (aliás, é como se sempre soubesse) e redobro os meus esforços. Estamos a tentar abrir caminho entre uma enorme poça de lama (quase se poderia chamar um lago) e um riacho que corta caminho pela terra mesmo ao lado da caverna.
Após algumas horas de muitas pasadas, finalmente conseguimos e a água escorre rapidamente para o riacho que entretanto já se tornou num pequeno rio de lama cinzenta e detritos variados - um frigorífico, um carrinho de supermercado, um saco de plástico com um peixinho dourado dentro de água, duas rodas de bicicleta, vários metros de arame, uma porta, etc.
Nisto, alguém olha para o horizonte e diz:
- Olhem ali. Uma cidade.
E no momento em que uma das mulheres aponta para longe, a chuva pára e as nuvens desaparecem. Continua a ser noite, mas agora estamos iluminados pela lua cheia.
- Aquilo não estava ali antes - Digo eu a olhar para um aglomerado de casas que cresce a olhos vistos junto ao sopé de uma cadeia montanhosa. Primeiro barracas, depois casas, prédios, palácios, torres, maiores e maiores e maiores e maiores...
- Se calhar montaram a cidade enquanto trabalhávamos. - Responde um dos meus companheiros.
- Três mil colonos em duas horas e meia? Não me parece. Que estranho.
Junto à montanha a cidade brilha. Mesmo sem distinguir as pessoas que por lá andam, vejo que tem movimento, que tem vida. Quero ir para lá... mas volto a acordar...
Quando estiver novamente a dormir vou tentar lá voltar.
Fiz um pequeno esboço da paisagem do meu sonho. Espero que gostem.
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