quarta-feira, 18 de julho de 2012

Sessão de fotos no Castelo de São Jorge

Hoje vou fazer um pouco de batota e não vou cumprir as minhas próprias regras. Estas fotos foram tiradas há mais de três dias, mas não queria deixar de publicá-las no blogue.

Para ir a uma entrevista a uma agência de actores, a minha Inês tem de levar um DVD com fotos. Como fotógrafo de serviço do nosso agregado familiar, calhou-me a missão de "tirar os bonecos".

Para isso, fomos para o Castelo de São Jorge à tardinha. Em termos de luz há poucos sítios em Lisboa como o castelo. Num espaço bastante reduzido temos locais com muita luz, locais com sombras, locais com sombra e luz ao mesmo tempo (por causa das árvores), temos cenários variados (cidade ao longe, ameias do castelo, árvores, túneis, escadas, relva, etc., etc., etc.) e, acima de tudo, um ambiente tranquilo, com poucas pessoas e pouco ruído.

Estas imagens são apenas algumas de que gostei mais, mas que muito possivelmente não irão para o DVD.


terça-feira, 17 de julho de 2012

Como arrancar erva daninha (Manifestação anti-Relvas, 17 de Julho 2012, Lisboa)

 Ontem, várias centenas de pessoas reuniram-se em frente à Assembleia da República para exigir a demissão do ministro Miguel Relvas.

 Entre ontem e hoje já ouvi vários comentário do género "Bah. Com tanta coisa para se manifestarem, pra qué que se vão manifestar contra aquele tipo?"

 Bom, e eu pergunto, "com tanta coisa para se manifestarem, porque é que não se manifestam?".

 Os vários casos em que está envolvido o ministro Miguel Relvas são apenas a ponta de um enorme icebergue de corrupção, favoritismos e interesses variados que não servem o bem-estar do povo que o sustenta.
 Miguel Relvas até pode não ser a erva daninha mais podre entre os legumes decrépitos instalados na assembleia, mas neste momento é sem dúvida a mais saliente. E agora que está à vista de todos esta é a melhor altura para a arrancar.


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Para ver o que está do outro lado

 Hoje li que a lua é tóxica. Ou melhor, que o pó lunar é altamente nocivo para os pulmões, pele e olhos.

Os autores do estudo que levou a esta conclusão realçam que só uma investigação levada a cabo no local poderá completar as lacunas no que se sabe sobre a toxicidade da lua. Pessoalmente, tenho receio que esta seja mais uma "desculpa" para que não se volte a explorar o grande satélite nem o espaço além do mesmo.

Há poucos dias atrás tirei estas fotos do reflexo na pintura de uma Renault 4L e, ao olhar para elas, a minha mente foi invadida por imagens de astronautas, cosmonautas e taikonautas a trabalhar numa base lunar. Uma estação espacial a servir de base de lançamento para viagens interplanetárias, com enormes retro-escavadoras a recolher pó lunar para depois o utilizar como combustível...

Parece-me estranho que apenas 8 anos depois do aparecimento da 4L (em 1961), o homem tenha dado os primeiros passos na lua. Ou seja, na mesma altura em que os automóveis mais avançados não passavam de paralelepípedos de metal com quatro rodas, um motor e um volante, uma mão cheia de homens conseguiu alcançar o impossível.

Hoje, por outro lado, com tantos avanços, parece que perdemos a coragem de calçar as botas e de escalar a montanha para ver o que está do outro lado. Em vez disso, enviamos uma sonda, fazemos alguns cálculos no computador, click, click, click, vzzzz, prrrr.... Plim! Temos a resposta.

Hoje as grandes descobertas são feitas por tipos sentados em cadeiras confortáveis.

Tenho saudades da altura em que as grandes descobertas eram feitas por tipos sentados em canoas ou em camelos. Uma época em que três tipos viajavam à lua numa cápsula do tamanho de um VW Carocha projectada para o espaço no topo de um enorme míssil alimentado por várias toneladas de explosivos.

Só para ver o que está do outro lado...


P.S. - No momento em que acabei de escrever este texto, um dente de leão entrou pela janela e poisou na minha mão (a propósito de viajantes). Não tinha a máquina perto de mim, mas aqui fica uma foto tirada com o telemóvel.


sexta-feira, 13 de julho de 2012

Casimiro, caçador de monstros

Este é mais um dos segredos escondidos de Lisboa. Tal como a ponte de luz que aparece por breves momentos ao final do dia, este candeeiro-sombra que fotografei no Castelo de São Jorge também só é visível em momentos muito especiais.

Se o encontrarem, esperem um pouco e pode ser que vejam o fantasma de Casimiro Leão Guerreiro a aproximar-se, retirar um frasco de whisky do bolso da gabardina e beber um trago antes de revelar um revolver na mão direita e desaparecer.

Nascido entre séculos, no momento em que o relógio batia as 12 badaladas do início do dia 1 de Janeiro de 1900, Casimiro cresceu para se tornar um indivíduo extraordinário, capaz de feitos incríveis e protagonista das mais inacreditáveis aventuras. Poderia dizer-se que Casimiro era um detective, mas não um detective comum. Na verdade, era conhecido em Lisboa pelo nome apropriado de "Caçador de Monstros" pois a sua especialidade era precisamente encontrar, perseguir e aprisionar ou matar os seres demoníacos que infestavam os subterrâneos da cidade naquela altura.

Um dos clientes mais regulares de Casimiro era a Maçonaria Portuguesa, mais especificamente os representantes do Grande Oriente Lusitano. Certo dia, em Maio de 1931, Casimiro desvendou um plano dos maçons para terminar de vez com os demónios, monstros e aparições que assombravam a cidade. Um plano que o Grão-Mestre da Maçonaria apelidou de "a solução final".

No entanto, a grande solução iria terminar não só com os indesejados, mas também com toda a magia de Lisboa. Os corvos falantes, as pontes de luz, os navios espaciais, os golfinhos voadores, as árvores anciãs... todos iriam desaparecer. Para isso acontecer, era necessário que a população deixasse de acreditar na sua existência e, para isso, seria necessário que todos pensassem da mesma maneira.

...programação mental massiva...

Chocado com a descoberta deste plano maquiavélico, Casimiro dirigiu-se de imediato ao Grémio Lusitano, sede da organização maçónica, determinado a destruir os esquemas do Grão-Mestre. Ele sabia que provavelmente seria a derradeira noite em que poderia percorrer as ruas da cidade que tanto amava, mas a sua determinação era inexorável.

Casimiro bebeu um último trago de whisky, retirou o seu revolver do bolso e atravessou a entrada do Grémio Lusitano para nunca mais ser visto.

É quase certo que o detective morreu naquela noite e que os monstros desapareceram da cidade. Mas também é evidente que Casimiro conseguiu interferir de certa forma na "solução final".

É por isso que ainda hoje se vislumbram alguns vestígios de magia.

É por isso que por vezes se consegue ver o fantasma de Casimiro a a passear pelas ruas de Lisboa.

É por isso que a luz da nossa cidade continua diferente de todas as outras.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

"Ó Coelho! Sai da Troika!" (Manifestação de professores - 12 de Julho 2012, Lisboa)

 Os professores voltaram a concentrar-se no Rossio esta tarde para mais uma marcha até S. Bento contra as políticas pró-desemprego do actual governo. É difícil saber se estas manifestações têm algum impacto, mas os professores não podem (nem devem) deixar de lutar por melhores condições de trabalho (e por "trabalho" eu refiro-me a tudo o que a ele está associado, como estabilidade, formação, liberdade de pensamento, etc.).

 Como não poderia deixar de ser, o ministro José Relvas esteve na mira de muitas das frases escritas nos cartazes transportados pelos manifestantes. Por exemplo:

- "Professores para quê? Formação à Relvas é que está a dar!" (na fotografia)

Um pouco mais à frente, um grupo de professores cantava o clássico infantil "Joana come a papa", mas com a letra alterada para: "Sai da Troika! Coelho sai da Troika!"
Talvez um dia os senhores eleitos por nós percebam que a educação e a cultura são os verdadeiros impulsionadores da inovação. Talvez percebam que sem conhecimento nem criatividade não existe evolução, apenas estagnação.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Aníbal, o micróbio

Há dois ou três dias atrás, estava eu tranquilamente a pensar na morte da bezerra quando, de repente, fui violentamente agredido por um espirro traiçoeiro. O vilão aproximou-se de mim na calada da tarde e atacou-me impiedosamente com uma gigantesca marreta.

Naturalmente, isso fez com que deixasse de pensar na morte da bezerra (que aliás já morreu tantas vezes na cabeça de tanta gente que já ninguém lhe liga nenhuma). Em vez disso, comecei a pensar sobre o que se passa dentro dos nossos narizes. E foi aí que me lembrei da história de Aníbal, o micróbio directório.

Aníbal era um micróbio que não tinha uma função muito bem definida na comunidade microbiótica em que vivia (no interior de um humano qualquer). Ele tinha no entanto amigos nos mais altos níveis da sociedade e, como tal, era igualmente considerado um micróbio de prestígio. Ora bem, como figura de prestígio que era, não tardou a que Aníbal fosse nomeado para uma posição equivalentemente prestigiante: a de Director do Nariz.

Aníbal queria ser um grande líder e pensou "para ser um grande líder é necessário ser respeitado; para se ser respeitado é necessário ser temido; para se ser temido é necessário criar dúvida e incerteza; e, acima de tudo, é necessário que ninguém perceba que o líder não faz ideia o que está a fazer". Seguindo esta lógica inquestionável, Aníbal tratou rapidamente de emitir as suas primeiras ordens através dos fiéis súbditos que ocupavam agora vários postos hierárquicos que criou especialmente para o servirem:

"Por decisão da administração e do Sr. Prof. Dr. Director do Nariz, Aníbal Micróbio, foi determinado que:

1 - A partir da próxima terça-feira, os funcionários da narina esquerda deverão fazer o pino sempre que o Exm.º Sr. Prof. Dr. Director entre no edifício, excepto às segundas-feiras à tarde;

2 - A partir da próxima terça-feira, os funcionário da narina direita deverão cantar o primeiro acto do Barbeiro de Sevilha todas as manhãs, mas apenas até ao distinto Sr. Prof. Dr. Director sair da casa de banho;

3 - A partir da próxima terça-feira, as Fossas Nasais passarão a chamar-se Poços Nasais. Porque sim.

4 - Na próxima terça-feira será feita uma intervenção no sentido de acolchoar as paredes das Narinas Esquerda e Direita para maior conforto dos convidados do ilustre Sr. Prof. Dr. Director."


Durante vários dias, os funcionários do nariz deram o seu melhor para corresponder às exigências do seu novo líder.

Mas um nariz é um nariz. E um nariz faz o que um nariz faz. A confusão causada pelas novas directrizes causaram comichão e, com um valente espirro,  Aníbal e os seus fiéis súbditos foram projectados para a imensidão branca e luminosa de um lenço de papel.

Fim.

P.S. - Sei que a imagem tem pouco ou nada a haver com a história de Aníbal,o micróbio. Mas como devem calcular não é fácil fotografar micróbios (são muito tímidos, os tipos). Tirei a foto esta manhã no Monte Estoril.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Árvore Rorschach

Os leitores mais astutos são capazes de ter reparado que a Esfera de Sonhos tem rolado pouco nos últimos dias. Bom, ao escrever "rolado pouco" estou a ser demasiado generoso comigo próprio. Na verdade, não ponho nada no blogue há 10 dias.

Mas há duas boas razões para esse encerramento provisório: primeiro por espirros (generosamente cedidos pelo habitual ataque de rinite alérgica de início de verão) e depois... por uma boa dose de preguiça (levemente temperada com uma pitada de "insegurança" e de "crise criativa").

Mas agora que esses empecilhos já estão (parcialmente) ultrapassados, vamos a ver se não deixo a Esfera de Sonhos voltar a parar.

Por agora deixo-vos com um foto tirada no Cais do Sodré, junto à EMSA (European Maritime Safety Agency).

Gosto da sombra da árvore no chão. Parece um teste de Rorschach.