terça-feira, 2 de outubro de 2012

Levado por uma onda de luz (prefácio)

Não estou com muito tempo neste momento, mas não queria deixar passar mais uma eternidade antes de publicar alguma coisa no blog. Por enquanto deixo-vos só com uma imagem e a promessa de partilhar convosco em breve um pequeno conto que me atropelou os neurónios depois de eu ter tirado esta foto.

Vou tentar escrevê-lo até amanhã, mas quanto a isso já não faço promessas.

"I love deadlines. I like the wooshing sound they make as they fly by." - Douglas Adams

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Adeus ao Verão, nº4

Este fim-de-semana teve lugar o Big Bang - Festival Europeu de Música e Aventura para Crianças, de cuja organização eu faço parte. Os preparativos para um festival como este começam assim que a edição anterior acaba (neste caso em Outubro de 2011), mas a última semana antes do evento é sempre a mais agitada. Passei vários dias a chegar tarde a casa, comer qualquer coisa rápida e enterrar a cabeça na almofada sem sequer ter tempo para dizer Supercalifragilisticexpialidoscious antes de adormecer.

Com tanta correria, acabei por não conseguir terminar a série "Adeus ao Verão" durante a semana passada. Então, para terminar, aqui fica mais uma foto.

P.S. - O Big Bang voltou a ser um sucesso. Estamos todos estafados, mas o esforço valeu a pena. Durante dois dias o CCB foi o epicentro de um vórtice de espanto e alegria que sugou todos os que se atreveram a lá entrar.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Adeus ao verão, nº2 (e duplo tchim-tchim para mim)

Sem dar por isso, ontem publiquei a minha ducentésima quinquagésima (250ª) mensagem aqui na Esfera de Sonhos.

Além disso, também sem dar por isso, no passado dia 17 a Esfera de Sonhos fez quatro anos. Pois é, a primeira mensagem deste blog foi publicada no dia 17 de Setembro de 2008. Mas este meu espaço de devaneios nunca esteve tão activo como neste ano. Aliás, em 2012 já fiz quase o dobro dos posts publicados ao longo dos restantes três anos somados.

Portanto, permitam-me um momento de auto-apreciação e façamos um brinde à Esfera de Sonhos.

Tchim-tchim!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Adeus ao verão

Em homenagem ao Verão que parece estar agora a dar-nos os seus últimos pores-do-sol, esta semana só vou publicar fotos tiradas na praia. Estas serão fotos que, na minha opinião, são sugestivas do final de uma história (neste caso a história do Verão) ou do início de outra (a do Outono).

sábado, 22 de setembro de 2012

O povo saiu à rua num dia assim, outra vez (Manifestação, 21 de Setembro, 2012)

Muitos milhares (vinte milhares?) de pessoas saíram outra vez à rua em protesto contra as políticas do actual Primeiro Ministro e o seu séquito neoliberal.

E foi lindo!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

domingo, 16 de setembro de 2012

"Pst... Achas que desta vez ouviram?" (Manifestação, 15 de Setembro, 2012)

Os números oficiais ainda não foram divulgados, mas há quem diga que cerca de 500 mil pessoas saíram à rua em Lisboa e outras centenas de milhares em todo o país para o que deve ter sido a maior manifestação em Portugal deste o 1º de Maio de 1974.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

"Lagarto, lagarto!"

Para terminar este penúltimo dia da série dedicada à Feira Medieval de Castro Marim, aqui ficam fotos de alguns bichos que não esperava encontrar numa reconstituição medieval.

Bode velho em Castro Marim

Depois do meu desabafo da passada sexta-feira, no seguimento do discurso do Primeiro Ministro, hoje já posso voltar às fotos da Feira Medieval de Castro Marim (eu avisei que esta série era grande).

Hoje o tema é "Animais". Por agora deixo-vos com duas fotos deste bode. Segue-se mais bicharada ao longo do dia.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Aqui há galo, nº2 (ou "Que se foda o Coelho!")

Quando fotografei este galo, estranhei a expressão de desconfiança e intimidação que estava estampada no bicho. Mas hoje vi-me ao espelho logo a seguir ao discurso do nosso Primeiro e reparei que a minha expressão era exactamente a mesma...

Por qualquer razão, lembrei-me daquele velho anúncio dos chocolates Fantasias de Natal: "O Coelhinho veio com o pai natal e os palhaços no comboio ao circo... e comeu-os!"

(Peço desculpa aos leitores mais sensíveis, não só por destruir a infância alheia através das minhas memórias conturbadas, mas também pelo título pouco próprio a menores).

Feira Medieval de Castro Marim - Cavaleiros

Uma das atracções da Feira Medieval de Castro Marim é o torneio medieval. Estava imenso público e, por causa disso, fiquei um pouco longe da acção, o que me impediu de tirar fotos mais pormenorizadas. Mas acho que até me safei (pelo menos com estas quatro fotos).

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Feira Medieval de Castro Marim - Pessoas

Durante a Feira Medieval de Castro Marim, os habitantes, comerciantes e artistas de rua andam vestidos a rigor. E já estão tão habituados a estas andanças que até parece que nunca se vestiram de outra forma.

Feira Medieval de Castro Marim - Cavalos

Durante os primeiros dias de férias no Algarve, a minha inspiração fotográfica resolveu tirar as suas próprias férias e desapareceu sem deixar rasto. Mais ou menos a meio da semana recebi um SMS mental da minha inspiração a dizer que estava numa ilha das caraíbas, que estava a tirar um curso de mergulho e que não estava para me aturar.

Felizmente, quando eu e a minha Inês resolvemos visitar a Feira Medieval de Castro Marim, a inspiração voltou (a resmungar e a espernear, mas voltou). E foi então que tirei estas fotos. Os cavalos são animais incríveis.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Mãe de Água de Lisboa, nº1

Já andava há muito tempo com vontade de voltar a visitar o Reservatório da Mãe d'Água de Lisboa. Na última vez (e única, se bem me lembro) que lá tinha ido era eu ainda um petiz e tenho boas memórias da experiência.

domingo, 2 de setembro de 2012

Jardim Botânico de Lisboa, nº3

E pronto, aqui fica a última desta série de fotos do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa. Ainda tinha mais, mas por agora chega.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Jardim Botânico de Lisboa, nº1

Os próximos dias da Esfera de Sonhos vão ser dedicados às fotos que tirei durante as férias, mas que não tive possibilidade de publicar.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Uma floresta na água


Fui de férias e deixei o blog pendurado. Ainda por cima com a promessa de um conto... Não se faz!

Mas já estou de volta. Portanto, sem mais adiamentos, aqui fica "Uma floresta na água".


domingo, 19 de agosto de 2012

Uma floresta na água (prefácio)

Só por si, esta foto que tirei numa tarde à beira da piscina não me sugeriu nada para escrever. Mas quando escolhi o título começaram logo a borbulhar na minha cabeça os ingredientes para mais uma pequena história.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Entardecer em Lisboa, nº9 ("Aceso ou apagado?")

Já andava há uns dias para conseguir tirar esta foto. Não sei se é perceptível, mas as luzes deste candeeiro estão apagadas. Parecem acesas porque o candeeiro está em contraluz.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Manel e a conspiração dos peixes, 2ª parte


Como vos tinha dito ontem, estive na Biblioteca Esquecida dos Assuntos Submersos à procura de uma explicação para a conspiração dos peixes.

Na recepção falei com o Sr. Eliseu, bibliotecário extraordinário, e expliquei-lhe a minha situação.

- Boa tarde Sr. Eliseu. Como está? Os caranguejos voadores continuam a dar-lhe problemas?

- Hrm. Bah. - Resmungou o ancião, antes de desencostar o nariz do livro de registos - Que praga, meu jovem. Demorei quase dois anos para conseguir livrar-me das Cnidaria Scyphozoa Cantanti e agora tenho as prateleiras cheias destes Callinectes Sapidus Volitans que só querem saber de livros sobre "pensamento lateral".

- Realmente... Alguma coisa que eu possa fazer?

- Não, não. Hrm. Isto há de se resolver. - Respondeu com um ar sereno, antes de se levantar bruscamente, dar um valente murro na mesa e gritar com todo o poder dos seus pulmões - SEUS MARGINAIS!

Durante alguns segundos o Sr. Eliseu ficou ali, parado como uma estátua, de punho erguido aos céus e uma expressão de fúria no rosto, cujas rugas despertavam memórias de um o mar revolto numa noite de tempestade.

- Hrm. Mas diga lá, meu jovem. O que trás por cá? - A fúria desapareceu tão rapidamente quanto apareceu.

- Bom. Sabe. Acho que existe uma conspiração de peixes contra mim.

- Ah, sim? E porque é que diz isso? 

- Porque, ao contrário das outras pessoas, nunca consigo comer peixe sem cravar espinhas nas gengivas. A conclusão é irrefutável.

- Hrm. Acho que já li qualquer coisa sobre isso... Só um momento.

Num piscar de olhos, o Sr. Eliseu deslizou como uma enguia entre uma parede de estantes e o que parecia ser um enorme ídolo pertencente a uma qualquer civilização esquecida.

Enquanto esperava, distraí-me a observar o que faziam os restantes clientes da biblioteca.

Junto à proa de um colossal navio onde se lia o nome "Argo", o deus assírio-babilónico Dagon e o Adamastor riam-se a bandeiras despregadas enquanto trocavam excertos de H.P. Lovecraft e Camões. Um pouco mais perto, dentro de uma garrafa de rum poisada na terceira prateleira de uma estante feita de coral, o Neils Olgerson contava histórias da sua maravilhosa aventura a um liliputiano gordo e claramente cheio de sono.

- Aqui está, meu jovem. Hrm. - Disse o Sr. Eliseu, enquanto me entregava cinco volumes escritos numa língua estranha.

- Muito obrigado. Mas eu não ser ler esta...

- Balquinaquês.

- Isso. Não sei ler balquinaquês.

- Não se preocupe. Hrm. Aqui está um dicionário Balquinaquês-Português.

Munido de toda a informação necessária, entreguei-me à árdua tarefa de decifrar os livros que me foram entregues. Naturalmente, comecei pelos títulos, não só porque estava curioso sobre a identidade daqueles tomos ricos em conhecimento, mas também porque sou preguiçoso e só tinham uma palavra cada um.

Consultando o dicionário, decifrei rapidamente o primeiro título:

"aprende"

O segundo:

"a"

O terceiro:

"usar"

O quarto:

"os"

E finalmente o quinto:

"talheres".

FIM

terça-feira, 31 de julho de 2012

Manel e a conspiração dos peixes, 1ª parte


Ontem comi carapaus ao jantar e, como é hábito, trinquei e cravei nas gengivas uma dose considerável de espinhas. Por muito que esgravate o peixe antes de meter uma garfada à boca, não há maneira de me livrar daquelas navalhas de esqueleto marinho perfeitamente camufladas no meio da carninha suculenta.

No entanto, farto-me de ver outras pessoas a comer peixe sem se queixarem. Passam com a faca aqui (zip), passam com a faca ali (zup), afastam as espinhas dorsais (zup-tic), separam metade do peixe num movimento único e fluído (zip-plec) e procedem a ingerir o dito cujo com enormes garfadas absolutamente livres de espinhas (gulp, naturalmente) . Eu, por outro lado, acabo sempre em batalhas dignas de um documentário da National Geographic, a debater-me com autênticas adagas que tentam chegar ao meu cérebro através do céu da boca.

Parece-me, portanto, que existe uma conspiração contra mim. Os peixes estão decididos a tramar-me, mesmo depois de mortos!

Ao chegar a esta conclusão cuja veracidade é evidente e inabalável, decidi pesquisar as razões que levaram a tão maquiavélico plano. Para isso, desloquei-me à Biblioteca Esquecida dos Assuntos Submersos (que só é acessível através da ponte de raios de sol que aparece em Lisboa ao final do dia) e pedi ao Sr. Eliseu, bibliotecário extraordinário, toda a informação que tivesse sobre peixes e espinhas.

A Biblioteca Esquecida dos Assuntos Submersos é um lugar vasto onde estão arquivados todos os segredos esquecidos nas profundezas dos oceanos. É lá que estão guardados os ossos do primeiro Kraken e os restos ferrugentos de vários navios desaparecidos no Triângulo das Bermudas. É lá que estão os pergaminhos da biblioteca da Atlântida e os escafandros do Nautilus. Nas minhas visitas aos corredores da biblioteca é frequente encontrar por lá muita gente curiosa, como o Tritão, que invariavelmente tenta convencer o Sr. Eliseu a não pagar multa por entregar livros em atraso, ou a ninfa Loreley, que insiste em cantar "I am a rock", de Simon e Garfunkel, (o que naturalmente não é muito bem visto pelo Sr. Eliseu e os restantes visitantes) enquanto lê livros sobre naufrágios nos rios da Alemanha.

Estou a dispersar.

Atendendo ao meu pedido, o Sr. Eliseu, bibliotecário extraordinário, trouxe-me vários volumes sobre o assunto desejado. Foi aí que descobri a verdade sobre a conspiração dos peixes...

Mas o resto da história fica para amanhã. Este texto já está muito longo e tenho mais que fazer.

Até amanhã.

(Nota, 1 de Agosto: Já podem ler a conclusão aqui.)

sexta-feira, 27 de julho de 2012

"M"


Com esta coisa de começar a escrever contos associados às fotos, acabei por me entalar. Agora fico a achar que é poucochinho quando só publico fotografias e não escrevo nada.

Mas para escrever preciso de ter a cachimónia desimpedida durante um bocadinho e hoje não estou a conseguir.

Por isso, é desta que vos deixo mesmo só com a foto do dia.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

O homem que tinha uma história, mas não conseguia contá-la

Estive quase para deixar-vos apenas com uma foto e não escrever nada hoje.

Mas depois lembrei-me:

Era uma vez um homem que tinha uma história, mas não conseguia contá-la.

Já tinha tentado de várias maneiras, mas sempre que se esforçava por dizer ou escrever as palavras que a compunham, elas recusavam-se a sair da sua cabeça.

O homem que tinha uma história ficava horas sentado em frente ao ecrã do computador ou de lápis apoiado no caderno aberto sem conseguir escrever uma única palavra. Ao fim de alguns minutos a olhar para o cursor a piscar ou para o vácuo infinito de uma folha em branco, os seus olhos deixavam de focar e a sua mente ficava igualmente vazia.

- És feliz? - Perguntou um amigo a quem o homem tinha explicado o seu problema.

- Feliz? Sim, acho que sou. Porquê?

- Então? Nunca ouviste dizer que as pessoas felizes não têm histórias para contar? Se calhar o que precisas é de ser um bocadinho triste. Sabes, essa coisa da felicidade é muito sobrevalorizada.

- Bom, a verdade é que já me afeiçoei bastante à minha... - Respondeu o homem com alguma hesitação - Além disso, o problema é que eu tenho mesmo uma história para contar. Só que ela não sai cá para fora. É como se tivesse uma vozinha na minha cabeça a dizer "Nã, nã. Daqui não saio, daqui ninguém me tira".

- Hm... Então o caso é bicudo... Já experimentaste falar com ela?

- Com quem?

- Com a história.

- Falar com a hist...

- Exacto. Se tens vozes na cabeça, parece-me que o melhor é dialogares com elas. "Tudo é possível através do diálogo", já dizia a minha avó.

A ideia parecia absurda, mas que escolha tinha o homem que tinha uma história? Umas horas mais tarde, quando chegou a casa, sentou-se no sofá da sala durante um bocadinho e esperou um pouco até ganhar coragem para falar com a sua própria cabeça.

- Er... História? - Perguntou ao vazio entre paredes - Estás aí?

- Estou, estou. 'Qué que queres, pá? - Respondeu uma voz vinda de lado nenhum.

- Ah! Xiça!... - Gritou o homem, assustado por uma resposta que não esperava ouvir - Desta não estava à espera...

- Sim, sim. Vá, desembucha lá. Qué que foi?

- Bom... er... sabes... bem, queria... queria perguntar-te porque é que não te deixas ser contada.

- Oh. Porque não me apetece. Sei lá.... Olha, porque preferia ser um épico! Preferia ser um livro de quinhentas páginas, com batalhas espectaculares, um romance escaldante, actos imensamente heróicos e mortes trágicas capazes de fazer chorar o Darth Vader ou a Angela Merkel.

- Mas assim deixavas de ser tu. Se eu escrever um épico, já não te escrevo a ti.

- Pois, está bem. Mas porque é que não escreves como o Tolstoi? Ou o Tolkien? Ou até como a Marion Zimmer Bradley?

- Mais uma vez, porque se o fizesse já não estaria a escrever-te a ti. E agora não quero escrever outra história. Vá lá, há tantas histórias curtas maravilhosas. Olha, os "Contos dos Subúrbios" do Shaun Tan, por exemplo. Há poucas coisas melhores do que aquilo.

- Prontos, tá bem. Tens razão. Estava só a sentir-me um bocadinho insegura. Vamos lá então.

Depois desta conversa, o homem que tinha uma história para contar sentou-se à secretária e contou a história que tinha para contar. Era uma história pequena, com pouco menos de duas páginas, mas o homem que tinha contado uma história estava contente.


Muitas pessoas leram o que ele escreveu. Umas gostaram, outras nem por isso. Mas, para as pessoas que gostaram, a extensão diminuta da história era perfeita, porque assim era mais fácil contá-la a outras pessoas que por sua vez contavam a outras. E a outras. E a outras.

Vários anos mais tarde, um velhinho sentou-se nas escadas do jardim (como fazia todos os dias) para contar uma história aos miúdos que por lá passavam. Desta vez, escolheu uma história chamada "O homem que tinha uma história, mas não conseguia contá-la".

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Rabiscos ao calhas, #15

Há já muito tempo que não publicava "Rabiscos ao Calhas" aqui no blogue (o último foi em Dezembro do ano passado). Algo que  se deve ao facto de não desenhar há já muito tempo.

Este saiu-me dos dedos enquanto assistia a um episódio de uma série de ficção-cientifica. O desenho não tem nada a ver com a série, mas parece-me que tem a ver com a história "O homem de metal e a mulher numa caixa de vidro" que publiquei aqui em Junho. Escrevo "parece" porque o desenho foi aparecendo no papel sem que eu lhe desse muita atenção.

Pensando bem nisso, acho que a grande maioria dos meus desenhos foram feitos quando estava distraído com outra coisa qualquer. Se calhar é esse o segredo para voltar a desenhar: não pensar muito no assunto e só desenhar quando estou distraído.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O jardim secreto do Sr. Jacinto

O Sr. Jacinto era um homem triste e cinzento que vivia numa cidade triste e cinzenta.

Há já muitos anos que o último jardim daquela capital tinha sido destruído para dar espaço a um enorme centro comercial para o qual a população afluiu como formigas à caça de migalhas de bolo no final de uma festa de anos. Porque já não existiam árvores na cidade, este e as restantes centenas de centros comerciais da zona tinham de ser abastecidos com ar fresco importado de outras regiões do mundo. No entanto, diziam os especialistas, era tudo pelo bem da economia.

Para o Sr. Jacinto, nada disto fazia sentido e mantinha em sua casa uma sala repleta de vasos de plantas que tratava com carinho e admiração. Entre as flores, encontravam-se orquídeas, margaridas, celósias, astromeias, cravos e uma enorme estrelícia. Entre as árvores de pequeno porte havia  vários bonsai, uma nespereira, uma árvore de pomelo e um limoeiro. No seu pequeno jardim, Jacinto tinha também salsa, manjericão, tomate, cenouras e alface.

A existência do refúgio verdejante não era segredo para os seus vizinhos, mas não era visto com bons olhos:

- Quem acha ele que é? - Questionava o queixoso do rés-do-chão (tão queixoso que só podia viver em pisos térreos porque as escadas não aguentavam tanto queixume) - Andamos nós a trabalhar para o bem da economia e vem este tipo plantar as suas próprias melancias!

- De facto. A conduta indesejável do cavalheiro nosso propínquo é deveras ignóbil. - Respondia o pseudo-intelectual do 3º (tão pseudo que só lia clássicos com mais de 500 páginas e que tivessem sido escritos há mais de 200 anos) - O consumo de produtos produzidos em ambiente privado controlado não é propício ao trânsito quimérico de bens e valores que é imperativo para a prevalência de uma economia salutar. "O dinheiro é o único poder que não se discute", já dizia Alexandre Dumas.

- Err... Pois... Isso. E ainda por cima não faz o dinheiro circular! - Concluía o queixoso.

- Foi isso que eu disse.

- Ah foi?

- Foi.

- Ah.... Prontos.

E voltavam os dois para as suas vidas cinzentas, nos seus apartamentos cinzentos, num prédio cinzento da capital cinzenta.

Certo dia, a informação de que ainda existia um pouco de verde na cidade chegou aos directores de uma qualquer agência governamental de protecção do consumidor. Naturalmente, não tardou muito para que a casa do Sr. Jacinto fosse invadida por uma equipa de intervenção composta por 10 homens totalmente equipados e armados até aos dentes.

Em menos de nada, todas as plantas do Sr. Jacinto tinham voado pela janela da sala "pelo bem da saúde pública e no interesse do combate à economia paralela".

Deixado sozinho no rescaldo da invasão domiciliária, Jacinto olhava embasbacado para a parede onde antes estava a plantação vertical de tomate. Sem que tivessem dado por isso, a equipa de intervenção tinha revelado algo que ele nunca tinha visto antes.

Na parede desnudada estava agora uma pequena janela de caixilho branco.

E do outro lado, um enorme jardim de mil cores estendia-se até perder de vista.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Frutaria aos quadradinhos

Tirei estas no interior da frutaria perto de minha casa.

Já tinha reparado, quando passei por lá há alguns dias, que o sol projecta no chão as letras coladas no vidro da montra, mas não tinha a máquina comigo. Fiz questão de a ter comigo quando lá voltei para conseguir fotografar o fenómeno e... voilá!



quarta-feira, 18 de julho de 2012

Sessão de fotos no Castelo de São Jorge

Hoje vou fazer um pouco de batota e não vou cumprir as minhas próprias regras. Estas fotos foram tiradas há mais de três dias, mas não queria deixar de publicá-las no blogue.

Para ir a uma entrevista a uma agência de actores, a minha Inês tem de levar um DVD com fotos. Como fotógrafo de serviço do nosso agregado familiar, calhou-me a missão de "tirar os bonecos".

Para isso, fomos para o Castelo de São Jorge à tardinha. Em termos de luz há poucos sítios em Lisboa como o castelo. Num espaço bastante reduzido temos locais com muita luz, locais com sombras, locais com sombra e luz ao mesmo tempo (por causa das árvores), temos cenários variados (cidade ao longe, ameias do castelo, árvores, túneis, escadas, relva, etc., etc., etc.) e, acima de tudo, um ambiente tranquilo, com poucas pessoas e pouco ruído.

Estas imagens são apenas algumas de que gostei mais, mas que muito possivelmente não irão para o DVD.